Eis uma poesia que fala de erotismo e valores.O que v. acha dela?

 


E eu que fui levá-la ao rio
Certo de que era donzela,
Mas bem que tinha marido.
Foi a noite de São Tiago
E quase por compromisso.
As lâmpadas se apagaram
E se acenderam os grilos.
Já nas últimas esquinas
Toquei seus peitos dormidos,
Que de pronto se me abriram
Como ramos de jacinto.
A goma de sua anágua
Vinha ranger-me no ouvido
Como seda que dez facas
Rasgassem em pedacinhos.
Sem luz de prata nas copas
As árvores têm crescido
E um horizonte de cães
Ladra bem longe do rio

Após franqueadas as brenhas,
Franqueados juncos e espinhos,
Por baixo de seus cabelos
Fiz um ninho sobre o limo.
Eu tirei minha gravata.
Ela tirou seu vestido.
Eu, cinturão e revolver.
Ela, seus quatro corpinhos.

Nem nardos nem caracóis
Têm cútis com tanto viço,
Nem os cristais sob a lua
Alumbram com igual brilho.
Sua coxas me escapavam
Como peixes surpreendidos,
Metade cheias de lume,
Metade cheias de frio.
Galopei naquela noite
Pelo melhor dos caminhos,
Montado em potra nácar
Sem rédeas e sem estribos.
As coisas que ela me disse,
Por ser homem não repito
Faz a luz do entendimento
Que eu seja assim comedido.
Suja de beijos e areia,
Eu levei-a então do rio.
Contra o vento se batiam
As baionetas dos lírios

Portei-me como quem sou.
Como gitano legítimo.
Dei-lhe cesta de costura,
Grande, de cetim palhiço,
E não quis enamorar-me,
Pois ela, tendo marido,
Me disse que era donzela
Quando eu a levava ao rio.

Frederico Garcia Lorca -Tradução de Afonso Felix de Souza.
Quem quiser pode consultar o original em espanhol , embora a tradução seja bastante boa ao meu ver. Me impressiona a força das imagens que as palavras invocam,mesmo para quem como eu não é leitor assíduo de poesia.
SÍ : Eu tive a impressão de que ele não sabia que ela era casada e ficou sabendo depois, pois diz:
“E eu que fui levá-la ao rio
Certo de que era donzela”,

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4 Respuestas a “Eis uma poesia que fala de erotismo e valores.O que v. acha dela?”

aaaa eu conheço uma que tambem fala de erotismo

Primeiro o toque do olhos
Que se tocam em “brilhos”
Depois o toque dos labios
Que se tocam em beijos
O toque dos corpos
Que se tocam em carinhos
O toque das vozes
O toque do cheiro
O toque dos movimentos
Que se tocam em amores
Toques de amor

Claro nao ficou tao bom quanto essa ai…..mas essa é de um poetinha mais simples,que ta começando….eheheeheheehehehehe ta baum eu sei….essa que eu coloquei fico uma bosta ahahahahahaha

Muito boa!!! me deixou excitado!!!.

Achei, interessante! É bonita. Entendí que fala de uma mulher que se dizia pura e no entanto não colocou objetivos em estar com outro homem, sendo que este é ciente de sua condição de casada. Este mesmo homem não se impotou em estar com ela sabendo de sua condição e não se deixou apaixonar por ela justamente por ela ser casada. Curtiu. Aproveitou do momento, da fraqueza da mulher em trair seu marido. Mas também deixa a entender que não iria defamá-la após o epsódio, comentaria talvez o “milagre” porém não revelaria o “santo”.
Boa poesia, coisas cotidianas que acontecem até hoje!!!!!

Sem dúvida uma belíssima poesia do Garcia Lorca, que com orgulho eu digo que ele já disse um dia sobre a minha, em um encontro dos Poetas del Mundo (seriam meus sonhos?) Talvez sim, talvez não, o que importa?
A poesia!
Bem, desculpe, não creio que a formatação original da poesia seja nesta separação de versos, mas é linda em qualquer forma.

*

Esta NÃO era casada, quando a poesia começa na volta ao passado, agora casada com o mesmo amante há 34 anos, por este é bom relembrar…

*

VEM, DOÇURA!
Celito Medeiros
(Do passado e presente com Eliza)

Voltei-me para o passado…voltei !
Para buscar nossos bons momentos
E lá estavam as flores, o riacho a chuva…
E tu em gesto pleno, muda!
Raios de sol, encanto do poente
Que miragem… hoje em minha mente?
Anoitece…
A lua sempre bela de todos os amantes
O cálido frescor, a chuva que passou
E nós dois mimados, aquecidos
Em corpos pedintes…
Olhares até suplicantes
Que nada acabe
Mas que continue
Para a eternidade!
Que bela musa
Feito gata derretida,
Os beijos já não ardentes,
Cálidos… os gestos pacientes
Os tatos aflorados
Corpo empinado
Fogo dobrado
Como sempre!
Então, já é tempo
De reviver tal momento
Vem… doçura!
O Sol ainda é o mesmo
Ainda chove em meu jardim
Faze agora em mim
Sair este encanto.
Te amei, fui amado
Nunca saí de teu lado
Por que nunca esqueci
Que ainda somos os mesmos
Desde quando te vi !
Não procuramos nada novo
Mas façamos de novo
Renovar a chama
Que chama… e ainda queima
Vem…doçura !
Já estamos prontos!

.